quarta-feira
Entrámos na sala da Culturgest e foi-nos dado algum tempo para procurar e explorar a exposição de Willem Oorebeek, intitulada “Blackout KATALOG”. A obra estava quase escondida, tanto que a uma primeira vista parecia fazer parte do espaço.
Vários pequenos quadros pretos, assemelhados a janelas, dispunham-se em linha horizontal ao longo de três paredes. Aparentemente, não passavam de rectângulos pretos, mas se nos aproximássemos, revelavam imagens brilhantes provenientes de fontes massificáveis.
A intenção do artista foi pegar em elementos da pop-art e obscurecer o seu sentido. As tradicionais cores pop, vivas, dão lugar a um negro monocromatismo; a observação rápida passa a uma nova lenta e demorada, que simultaneamente obriga o espectador a mover-se para procurar a imagem, participando na própria obra e tornando-a numa arte performativa.
Esta é uma obra repleta de ambiguidades. Além das já referidas, também uso da litografia, uma técnica de produção em massa, para produção de imagens únicas e originais anula a intenção primária das imagens em série. Questiona-se a autoria, o valor da imagem.
O uso de imagens de Roy Lichtenstein cria novamente duplicidades em relação à cultura popular. Lichtenstein também pegava em imagens de BD para as suas obras e usava a técnica de serigrafia (igualmente de criação em massa) para criar peças únicas.
As pessoas não vêem aquilo que não tencionam ver, pelo que muitos passam sem conseguir ver a exposição. O próprio espaço anula a obra, como a obra anula o Lichtenstein e este, por sua vez, anula os desenhos de BD – anulação em ciclo.
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